
-Você não tem vergonha na cara?-ele me pergunta,sorrindo.
Não,meu bem,eu não tenho.Eu tenho é o desejo estampado na face,os poros transpirando você e esta alma nua e suja.
Eu tenho é este corpo que nem sussura mais.Grita.Berra.Eu tenho este coração virgem para amar,o alcool dentro da garrafa e o cinzeiro ao lado da cama.
Cá estou:inteira e encharcada.Apenas esperando que,mais uma vez,você me decifre.Esperando que você percorra estas curvas com suas mãos longas,indo e vindo.Como um explorador em território desconhecido.
Esperando que você me pressione contra a parede,contra a cama e o sofá.Deixando as roupas e o tempo no chão.Esperando por seus dedos e membro dentro de mim.O seu ritmo descompassado,lento e rápido.
Eu poderia dar sede ao oceano e preenche-lo com toda esta água que mina dentro e fora.
Tudo isto para que eu possa ouvir nossa respiração ofegante e entrecortada.E te dizer que não meu bem,eu não sei gemer baixo.
-Eu preciso respirar!-digo entre gemidos.
-Respira depois!-me responde.
Tudo isso para que eu possa morrer nos seus braços,além de mim, a cada noite;sentir tua língua em cada beiradada aqui e acolá e gozar assim:com o coração no clitóris.
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